Introdução
Alugar carro durante a viagem é uma das decisões mais estratégicas — e potencialmente transformadoras — que um viajante pode tomar. Seja para explorar regiões remotas do interior do Brasil, percorrer roteiros de vinho no Sul ou desbravar praias escondidas no Nordeste, ter um veículo sob seu controle amplia significativamente as possibilidades de experiência turística. No entanto, essa liberdade vem acompanhada de responsabilidades práticas, financeiras e legais que muitos subestimam.
Este artigo foi desenvolvido com base em anos de vivência prática em turismo, tanto como viajante quanto como profissional envolvido na curadoria de roteiros autorais pelo Brasil e exterior. Aqui, você encontrará orientações detalhadas, insights reais e recomendações testadas no campo — não apenas teorias genéricas. Nosso objetivo é oferecer um guia referência, útil para todos os perfis de viajantes, desde quem aluga carro pela primeira vez até quem já domina o básico, mas busca otimizar cada detalhe da locação.
Se você está planejando sua próxima viagem e considera alugar carro durante a viagem, continue lendo. Este conteúdo foi estruturado para responder às suas dúvidas reais, evitar armadilhas comuns e garantir que sua experiência seja segura, econômica e verdadeiramente enriquecedora.
O Que Este Tema Representa Para Turistas e Viajantes

Alugar carro durante a viagem vai muito além de simples mobilidade. Trata-se de autonomia, flexibilidade e acesso a experiências que o transporte público ou tours organizados raramente permitem. Em muitas viagens pelo Brasil — especialmente em regiões como Serra Gaúcha, Chapada dos Veadeiros, Costa Esmeralda (RN) ou Rota Romântica (RS) — o carro é quase indispensável.
Quem trabalha com turismo local sabe que destinos menos urbanizados frequentemente carecem de infraestrutura de transporte coletivo eficiente. Nesses casos, o carro alugado não é um luxo, mas uma necessidade prática. Além disso, ele permite ajustes de itinerário conforme o ritmo do viajante: parar em mirantes espontâneos, visitar feiras livres fora do circuito turístico ou chegar cedo a trilhas antes da chegada das multidões.
Essa liberdade, porém, exige preparo. Um erro comum é tratar a locação como um mero “detalhe logístico”, ignorando aspectos cruciais como tipo de seguro, condições do veículo, políticas de quilometragem e restrições locais. A diferença entre uma experiência fluida e um pesadelo burocrático muitas vezes está nos detalhes que só quem já passou por isso conhece.
Por Que Este Assunto É Importante no Turismo e na Experiência do Viajante
A mobilidade é um dos pilares da experiência turística. Sem ela, o viajante fica limitado a zonas urbanas centrais ou a horários fixos de excursões. Alugar carro durante a viagem rompe essas barreiras, permitindo imersão cultural, contato com comunidades locais e exploração de paisagens autênticas.
Turistas experientes costumam recomendar o uso de carro próprio em destinos onde o transporte público é escasso ou inexistente. Em regiões como o Vale do São Francisco (PE/BA), por exemplo, a maioria das vinícolas e atrativos naturais está distante de centros urbanos. Sem carro, o acesso torna-se inviável ou extremamente caro.
Além disso, o carro alugado impacta diretamente o orçamento da viagem. Uma má escolha pode gerar custos ocultos — multas, taxas extras, danos não cobertos — que comprometem todo o planejamento financeiro. Por outro lado, uma locação bem planejada pode ser mais econômica do que depender de táxis, aplicativos ou transfers diários.
Por isso, dominar o tema “alugar carro durante a viagem” é essencial para qualquer viajante que deseja equilibrar liberdade, segurança e economia.
Planejamento Essencial Antes da Viagem ou Visita
Antes mesmo de comparar preços ou escolher modelos, é fundamental realizar um planejamento estratégico. Esse passo evita surpresas desagradáveis e garante que a locação esteja alinhada ao seu roteiro real.
Documentos necessários
No Brasil, os documentos exigidos para alugar carro são:
- Carteira Nacional de Habilitação (CNH) válida, com no mínimo 2 anos de emissão
- Documento de identidade (RG) ou passaporte (para estrangeiros)
- Cartão de crédito no nome do condutor principal, com limite suficiente para cobrir o valor da franquia do seguro
Importante: algumas locadoras exigem que a CNH esteja dentro do prazo de validade e sem pendências junto ao Detran. Verifique isso com antecedência.
Reservas antecipadas
Reservar com antecedência — especialmente em alta temporada — é crucial. Não apenas pelos preços mais baixos, mas também pela disponibilidade de veículos adequados ao seu perfil (ex.: SUV para estradas de terra, carro compacto para centros históricos).
Em destinos turísticos populares como Gramado, Foz do Iguaçu ou Fernando de Noronha (onde há fretamento de veículos), a demanda supera a oferta rapidamente. Após visitar diversos destinos semelhantes, observo que reservas feitas com menos de 7 dias de antecedência costumam resultar em opções limitadas ou preços inflacionados.
Orçamento realista
O orçamento deve incluir:
- Diária base do veículo
- Seguro (obrigatório e opcional)
- Taxas administrativas (ex.: taxa de localização, jovem condutor)
- Combustível estimado
- Pedágios e estacionamentos
- Possível devolução em local diferente (one-way fee)
Muitos viajantes caem na armadilha de focar apenas na diária promocional, ignorando custos adicionais que podem dobrar o valor final.
Expectativas claras
Defina com clareza:
- Quantos quilômetros pretende rodar por dia?
- As estradas serão asfaltadas ou de terra?
- Haverá trechos noturnos ou em áreas remotas?
- Quantas pessoas viajarão no carro?
Essas respostas orientam a escolha do modelo, tipo de seguro e acessórios necessários (ex.: GPS, cadeirinha).
Tipos de Experiência Envolvidos
Alugar carro durante a viagem pode servir a diferentes propósitos, dependendo do tipo de turismo que você busca:
Turismo gastronômico
Em regiões como o Vale dos Vinhedos (RS) ou o Circuito do Café (SP), o carro permite visitar pequenas vinícolas familiares, queijarias artesanais e restaurantes campestres fora dos grandes centros. Em restaurantes bem avaliados, é comum observar que muitos não possuem serviço de entrega ou transporte — o carro é essencial.
Turismo cultural e histórico
Roteiros como a Estrada Real (MG) ou o Caminho dos Jesuítas (PR/SC) envolvem vilarejos históricos distantes entre si. O carro alugado permite seguir o ritmo da narrativa histórica, parando em igrejas, museus e casarios conforme o interesse.
Turismo de natureza
Para trilhas, cachoeiras e parques nacionais — como Chapada Diamantina (BA) ou Parque Nacional da Serra dos Órgãos (RJ) — o acesso muitas vezes exige estradas de terra ou longos deslocamentos. Um SUV com tração é frequentemente necessário.
Viagens de luxo vs. econômicas
Viajantes de luxo podem optar por sedans premium ou SUVs com assistência 24h, GPS integrado e seguro total. Já mochileiros ou viajantes econômicos priorizam compactos com baixo consumo de combustível e seguro básico, aceitando maior franquia em troca de menor custo diário.
Nível de Experiência do Viajante
Iniciante
Quem nunca alugou carro deve priorizar simplicidade:
- Escolher locadoras reconhecidas (ex.: Localiza, Movida, Unidas)
- Optar por seguro completo (CDW + TP)
- Evitar devolução em local diferente
- Solicitar explicação detalhada sobre funcionamento do carro (ex.: câmbio automático, faróis, setas)
Intermediário
Viajantes com alguma experiência podem:
- Comparar preços entre plataformas (ex.: RentCars, Kayak, sites diretos)
- Avaliar a relação custo-benefício do seguro parcial
- Considerar aluguel em aeroportos secundários para preços melhores
- Usar apps de navegação offline (ex.: Maps.me) em áreas com pouca internet
Avançado
Profissionais ou viajantes frequentes sabem:
- Negociar upgrades gratuitos com programas de fidelidade
- Identificar cláusulas abusivas em contratos (ex.: cobrança por risco de furto mesmo com seguro)
- Utilizar cartões de crédito com seguro de aluguel incluso
- Planejar rotas com base em postos de combustível e oficinas credenciadas
Guia Passo a Passo para Alugar Carro Durante a Viagem
Siga este roteiro prático, testado em dezenas de locações no Brasil e exterior:
1. Defina seu roteiro realista

Calcule a quilometragem total. Use o Google Maps no modo “caminhando” ou “dirigindo” para estimar distâncias. Considere desvios, engarrafamentos e tempo de descanso.
2. Escolha o tipo de veículo
- Compacto (ex.: Fiat Mobi, Renault Kwid): ideal para cidades, baixo consumo, fácil estacionamento
- Sedan médio (ex.: Toyota Corolla, Honda Civic): conforto para viagens longas, bagageiro espaçoso
- SUV (ex.: Jeep Compass, Hyundai Creta): necessário para estradas de terra, maior visibilidade
- Van (ex.: Fiat Ducato): para grupos grandes ou famílias com crianças
3. Compare preços com inteligência
Use agregadores, mas sempre confira no site oficial da locadora. Às vezes, promoções exclusivas estão disponíveis apenas lá. Atente para:
- Preço por dia x preço total
- Inclusão de quilometragem ilimitada
- Seguro incluso ou à parte
- Taxas de devolução fora do horário comercial
4. Reserve com antecedência
Ideal: 15 a 30 dias antes. Em feriados prolongados ou Carnaval, reserve com 60 dias de antecedência.
5. Verifique o seguro
- CDW (Collision Damage Waiver): cobre danos ao veículo
- TP (Theft Protection): cobre roubo/furto
- ALI/SLI (Assistência Legal): cobre danos a terceiros
Evite recusar todos os seguros se não tiver cobertura alternativa (ex.: cartão de crédito premium).
6. Faça checklist na retirada
- Fotografe todos os lados do carro, incluindo amassados, riscos e pneus
- Verifique nível de óleo, água e combustível
- Teste freios, luzes, ar-condicionado e sistema de som
- Confirme itens obrigatórios: estepe, macaco, triângulo, cinto de segurança
7. Dirija com atenção às particularidades locais
- Em cidades históricas (ex.: Paraty, Olinda), ruas são estreitas e sem sinalização clara
- Em estradas rurais, animais podem cruzar a pista
- Em grandes centros, Zonas de Estacionamento Regulamentado (ZER) exigem pagamento por app
8. Devolva com cuidado
- Abasteça no posto indicado pela locadora (evite multas por combustível inferior)
- Entregue no horário combinado
- Peça recibo de devolução com assinatura do funcionário
- Mantenha fotos da entrega por 30 dias
Erros Comuns e Como Evitá-los
1. Ignorar o tipo de câmbio
Muitos brasileiros não dirigem carros automáticos com frequência. Se você não está acostumado, evite alugar um. Em situações de estresse (ex.: subida íngreme, trânsito intenso), a falta de familiaridade pode causar acidentes.
2. Aceitar seguro “básico” sem entender a franquia
O seguro básico geralmente tem franquia alta (ex.: R$ 3.000). Isso significa que, em caso de batida, você paga até esse valor. Se não tem essa quantia disponível, opte pelo seguro completo.
3. Não verificar a política de combustível
Algumas locadoras cobram “tanque cheio na devolução”. Se você devolver com 90%, pode pagar uma taxa abusiva por litro. Sempre abasteça até o mesmo nível da retirada.
4. Esquecer de levar o cartão de crédito físico
Mesmo com reserva online, a locadora exige o cartão no nome do condutor para bloquear a franquia. Cartões virtuais ou de terceiros não são aceitos.
5. Dirigir em áreas restritas
Centros históricos como Ouro Preto (MG) ou São Luís (MA) têm ruas de acesso restrito a moradores. Multas por violação são comuns e não cobertas pelo seguro.
Dicas Avançadas e Insights Profissionais
Use programas de fidelidade
Locadoras como Localiza e Movida oferecem pontos que viram diárias grátis, upgrades ou descontos. Acumule mesmo em viagens curtas.
Alugue fora do aeroporto
Retirar o carro em escritórios de bairro pode ser até 30% mais barato. Muitas oferecem transfer gratuito do aeroporto.
Verifique o seguro do seu cartão de crédito
Cartões Platinum, Black ou Infinite frequentemente incluem seguro de aluguel gratuito — mas exigem que você recuse o seguro da locadora e pague a diária inteira com o cartão. Leia os termos com atenção.
Evite jovens condutores
Se você tem menos de 25 anos, será cobrada uma taxa extra (às vezes 20–30% a mais). Se possível, coloque alguém com mais de 25 como condutor principal.
Prefira quilometragem ilimitada
Exceto em viagens urbanas curtas, a quilometragem limitada gera custos extras rápidos. Calcule: se ultrapassar 200 km/dia, o ilimitado compensa.
Exemplos Reais ou Hipotéticos
Cenário 1 – Família em Gramado (RS)
Uma família de 4 aluga um SUV por 7 dias. Escolhem seguro completo por segurança. Gastam R$ 1.800 no total, incluindo pedágios e estacionamentos. Sem carro, gastariam mais de R$ 2.500 em transfers e táxis — e perderiam a flexibilidade de visitar cânions no amanhecer.
Cenário 2 – Mochileiro no Nordeste
Um viajante solo aluga um compacto por 10 dias para percorrer o litoral sul da Bahia. Opta por seguro parcial (franquia de R$ 2.000) e abastece sempre em postos de bandeira conhecida. Economiza R$ 400 em relação ao seguro total, sem incidentes.
Cenário 3 – Casal na Estrada Real (MG)
Casal aluga sedan médio para roteiro de 12 dias. Retira em Belo Horizonte e devolve em Paraty. Paga taxa one-way, mas evita voos internos. Usa app de navegação offline para estradas sem sinal. Avalia a experiência como “imprescindível para a imersão histórica”.
Personalização da Experiência
Para famílias com crianças
- Alugue carro com espaço para cadeirinhas
- Verifique se a locadora fornece assentos infantis (com custo adicional)
- Priorize modelos com ar-condicionado traseiro e porta-malas amplo
Para idosos
- Escolha câmbio automático e direção hidráulica
- Evite veículos altos (dificuldade para entrar/sair)
- Contrate assistência 24h com guincho incluso
Para mochileiros
- Compactos são ideais para economia e estacionamento
- Leve mochila resistente para bagageiro
- Evite alugar em aeroportos internacionais (preços mais altos)
Para casais românticos
- Sedans ou conversíveis aumentam o clima de viagem
- Planeje rotas com mirantes e paradas panorâmicas
- Use playlists offline para trilhas sonoras personalizadas
Boas Práticas, Cuidados e Recomendações Importantes
Segurança
- Nunca deixe pertences visíveis no carro, especialmente em estacionamentos públicos
- Tranque portas mesmo em movimento, em áreas urbanas
- Evite dirigir à noite em estradas não iluminadas
Respeito cultural
- Em comunidades indígenas ou quilombolas, peça autorização antes de fotografar ou estacionar
- Respeite placas de “propriedade particular” — muitas estradas rurais cortam fazendas
Consumo consciente
- Prefira carros com bom desempenho de combustível
- Compartilhe o carro com outros viajantes quando possível
- Evite ligar o motor por longos períodos em paradas curtas
Oportunidades de Economia e Aproveitamento Melhor do Orçamento
- Alugue por períodos mais longos: 7+ dias geralmente têm desconto por diária
- Viaje na baixa temporada: preços caem até 50%
- Use cupons de parceiros: operadoras de cartão, programas de milhas, clubes de assinatura
- Combine com hospedagem: pacotes “voo + carro + hotel” podem ser vantajosos
- Evite upgrades desnecessários: GPS embutido é caro; use Waze ou Google Maps no celular
Lembre-se: economizar não significa cortar segurança. Invista no seguro adequado — é o melhor custo-benefício da locação.
Perguntas Frequentes (FAQ)
1. Posso alugar carro com CNH provisória (PPD)?
Não. A maioria das locadoras exige CNH definitiva com pelo menos 2 anos de emissão. A Permissão para Dirigir (PPD) não é aceita.
2. Qual a idade mínima para alugar carro no Brasil?
Geralmente 21 anos. Menores de 25 pagam taxa adicional de jovem condutor.
3. Preciso de cartão de crédito para alugar carro?
Sim. Cartão de débito ou dinheiro não são aceitos para bloquear a franquia do seguro.
4. Posso devolver o carro em outra cidade?
Sim, mas há taxa de devolução diferente (one-way fee), que varia conforme a distância. Consulte no ato da reserva.
5. O que acontece se eu bater no carro alugado?
Se tiver seguro, paga apenas a franquia (se aplicável). Sem seguro, arca com todos os reparos. Sempre registre boletim de ocorrência.
6. Posso colocar outro motorista no contrato?
Sim, mas ele deve estar presente na retirada, com CNH e RG. Há taxa adicional por condutor extra, exceto em alguns planos premium.
Conclusão
Alugar carro durante a viagem é uma ferramenta poderosa de autonomia, mas exige preparo técnico e consciência prática. Com o planejamento adequado — documentos em ordem, seguro bem escolhido, orçamento realista e respeito às particularidades locais —, essa decisão pode elevar sua experiência turística a um novo patamar.
Ao longo de anos percorrendo o Brasil e outros países, observei que os viajantes mais satisfeitos não são necessariamente os que gastam mais, mas os que se informam com profundidade e agem com responsabilidade. Este guia foi feito para ser seu aliado nesse processo: claro, detalhado e livre de promessas irreais.
Que sua próxima viagem seja marcada pela liberdade das estradas, pela descoberta de lugares autênticos e pela tranquilidade de saber que cada detalhe foi pensado com cuidado. Boa viagem — e boa direção!

Flávia Ferreira é uma entusiasta apaixonada por praias, viagens e experiências gastronômicas que despertam memórias únicas. Movida pelo desejo de conquistar a liberdade financeira e pelo constante desenvolvimento pessoal, ela acredita que explorar o mundo e investir em si mesma são caminhos para uma vida mais plena, equilibrada e cheia de propósito.






